Visita de pessoas cegas e com baixa visão destaca acessibilidade nas artes visuais

Além de audiodescrição, obras têm miniaturas táteis que ampliam a acessibilidade de pessoas cegas e com baixa visão / Foto: Diego DiSouza


Murais do Projeto Caixa D’Água Cor e Memória valorizam a importância de personalidades e de expressões culturais do Quilombo Urbano Morro dos Negros, o segundo quilombo urbano a ser reconhecido no Brasil


Na próxima sexta-feira, dia 14/02, será realizada uma visita de pessoas cegas e com baixa visão aos murais do Caixa D’Água Cor e Memória, com participação de associados da Associação de Deficientes Visuais de Sergipe (Adevise) e Associação Sergipana de Deficientes Visuais (ASDV).

atividade também é aberta a não associados e será conduzida pela equipe do Projeto, que comentará os trabalhos de Everton e Elias Santos e destacará aspectos importantes de sua execução em uma caminhada que será iniciada às 15h30.

Graças a uma parceria com o Instituto Lucas e Mariana Aribé de Acessibilidade para a Inclusão Social de Pessoas Com Deficiência (Iluminar), os murais de Everton e Elias Santos passaram a ser a primeira iniciativa de arte pública em Sergipe a oferecer audiodescrição por meio de QR Codes.

O recurso permitirá que pessoas cegas ou com baixa visão consigam compreender as obras produzidas pelos artistas 

Cortejo de lançamento dos murais foi liderado pelo Grupo Descidão dos Quilombolas / Foto: Saulo Coelho

Cortejo de lançamento dos murais foi liderado pelo Grupo Descidão dos Quilombolas / Foto: Saulo Coelho

A caminhada partirá da entrada do Centro de Criatividade, onde está situada a primeira série de murais, que ostenta uma dupla de artistas que marcou época na música sergipana, Irmão e Tonho Baixinho, entre outros personagens.

De lá, seguirá pela Rua Amintas Bonfim, onde o muro de uma casa exibe referências importantes da comunidade, como Seu João da Cruz, criador do Arraiá do Arranca Unha, e Seu Leopoldo e D. Doca, fundadores do Bloco Rasgadinho.

Depois de passar pelo muro ornado com trabalhos que valorizam manifestações afro-brasileiras na Rua Marechal Deodoro da Fonseca, o percurso será finalizado na Rua Gararu, no muro frontal da Escola Estadual 11 de Agosto, que recebeu intervenções artísticas que retratam o candomblé, Seu Euclides, líder do Grupo Guerreiro Treme Terra e Mestre Saci Quilombola, entre outras. Na última parada, acontece uma apresentação do Coral da Adevise.

A intervenção artística foi idealizada como um circuito de arte urbana, uma galeria de arte a céu aberto, formada por mais de 150 m2 de muros com representações de personalidades e expressões culturais relacionadas à memória e ao patrimônio cultural quilombo urbano de Aracaju, na perspectiva de contribuir para o sentimento de pertencimento e para a valorização de sua identidade cultural.

O conjunto de obras de Everton e Elias Santos traz representações da efervescente vida cultural da comunidade, que pode ser considerada um dos berços da cultura popular da capital sergipana.

Jovens da comunidade de estudantes do Colégio 112 de agosto também participaram do processo de pintura / Foto Diego DiSouza

Jovens da comunidade de estudantes do Colégio 112 de agosto também participaram do processo de pintura / Foto Diego DiSouza

Arte, acessibilidade 

Os murais foram apresentados ao público em novembro do ano passado, em um evento que contou com roda de conversa sobre a memória da comunidade, exibição de ‘Caixa D’Água – Qui-lombo é esse?’, da cineasta Everlane Morais, apresentações musicais e cortejo pelo circuito de murais puxado pelo Grupo Descidão dos Quilombolas e pela artista Perola Negra.

Para o artista Everton, um dos autores das obras, nascido e criado na comunidade, “foi um prazer imenso entregar para a comunidade quilombola esses murais, esse legado, onde a gente resgata a memória dos nossos ancestrais e de pessoas importantes para o reconhecimento dessa memória”. Everton é pai da cineasta Everlane Moraes, uma prova de que naquela região a arte é uma das ferramentas mais importantes a dar simbolismo à vida. Lançado em 2012, o documentário fala justamente da necessidade de resgate das históricas de vida da comunidade e de valorização da cultura.  

A execução contou a com o apoio da Associação Comunitária Criança e Liberdade (Criliber), responsável pelo processo de reconhecimento da comunidade quilombola junto ao poder público, que articulou a cessão de muros, sugeriu e validou nomes de pessoas homenageadas e indicou jovens da comunidade para participar da pintura.

Para Marcos José Batista Filho, de 19 anos, morador da Maloca e um dos jovens que decorou os muros, o projeto pode incentivar que as pessoas do Morros dos Negros busquem conhecer a história da região.

“Espero que isso possa inspirar outras pessoas a participar desse tipo de coisa, aprendi muita coisa e a gente que é preto precisa saber mais sobre o assunto”, completa. 

Roda de conversa contou com presenças de Mestre Saci Quilombola e Tonho Baixinho, artistas da comunidade, e de Everton e Elias Santos, autores das obras / Foto: Saulo Coelho

Roda de conversa contou com presenças de Mestre Saci Quilombola e Tonho Baixinho, artistas da comunidade, e de Everton e Elias Santos, autores das obras / Foto: Saulo Coelho

Parcerias 

Caixa D’Água Cor e Memória foi fomentado pelo Programa Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais. Com abrangência nacional, o Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais integra uma série de medidas da Fundação Nacional das Artes (Funarte) com a recriação do Ministério da Cultura (MinC) pelo Governo Federal.

O Projeto foi um dos 47 contemplados, recebendo pontuação máxima da comissão de seleção entre mais de 3.800 inscrições.

Para tornar o projeto realidade, uma rede de parceiros se aliou à ação, Além da Criliber e do Instituto Lucas e Mariana Aribé de Acessibilidade Para a Inclusão Social de Pessoas Com Deficiência (Iluminar), a Escola Estadual Colégio 11 de Agosto envolveu seus estudantes e sediou as oficinas de pintura realizadas pelo Departamento de Artes Visuais e Design da Universidade Federal de Sergipe (DAVD/UFS).

Serviço

O quê: Visita de acessibilidade para pessoas cegas e com baixa visão
Quando: sexta-feira, dia 14 de fevereiro, a partir das 15h30
Onde: Saída da entrada do Centro de Criatividade
Quanto: gratuito

Contato para entrevista: Marcelo Rangel (curador e produtor executivo)

Fonte: Assessoria

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